Passatempos:

Grace - Richard Paul Evans [Opinião]


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Grace
Um grande amor. Uma tragédia. E a vida depois de tudo isso.
de Richard Paul Evans   

Edição/reimpressão: Setembro de 2011
Editor: Arcádia
Páginas: 344
ISBN: 9789892800561
Colecção: Arcádia Ficção

SinopseEla foi o meu primeiro beijo. O meu primeiro Amor. Ela era a pequena menina dos fósforos que conseguia ver o futuro na chama de uma vela. Uma fugitiva que me ensinou mais sobre a vida que qualquer pessoa antes ou depois. E quando partiu a minha inocência partiu com ela. Agora que começo a escrever, uma parte de mim sente que estou a acordar algo que era melhor que permanecesse morto e enterrado ou, pelo menos, enterrado. Podemos enterrar o passado mas ele nunca morre realmente. A experiência daquele Inverno cresceu em mim como hera na parece de uma casa, crescendo até ao ponto de fazer rachar tijolo e cal. Rezo para poder ainda contar a história como deve ser. A minha memória, como a minha vista, estão a desvanecer-se com a idade e já lá vão bem mais de 50 anos. Ainda assim há coisas que ficam mais claras com o passar do tempo. Pelo menos disto tenho a certeza: naqueles tempos houve demasiadas coisas mantidas em segredo. Coisas que nunca deveriam ter sido escondidas e outras que nunca deveriam ter sido reveladas.



Ponto de Vista: Não sou a maior adepta do romance que ‘faz chorar as pedras da calçada’, e esta história de Richard Paul Evans, mesmo envolvida por uma bonita capa, tem uma sinopse que me fez recear se não estaria precisamente perante um desses romances…

“O Eric não conseguiu perceber por que é tão importante para mim ter um diário. Talvez eu só queira deixar alguma prova de que existi.
Diário de Grace

Grace é uma história contada na primeira pessoa, mas é acima de tudo memórias de uma vida, desde a inocência e ingenuidade de criança à dura realidade da vida adulta.
Eric revive o passado com um intervalo de décadas, um passado que lhe deixou marcas profundas, que lhe construiu o carácter e que o fez tornar-se uma pessoa de causas.

“A semente que Grace plantou no meu coração vai pôr muitas gerações de crianças a salvo da negligência e do abuso.”  

Vive-se os conturbados anos 60, em que a iminência da guerra pairava sobre todos como uma verdadeira ameaça, mas para Grace a sua maior ameaça estava bem mais perto dela e, por isso, decide fugir de casa, sem medo nem arrependimento.
E neste novo caminho que traçou para si encontra Eric, que surge como a personificação do bem, que lhe dá uma mão amiga, abrigo e, por fim, o sentimento mais grandioso: amor genuíno, que não cobra e não magoa, algo que juntos irão descobrir e viver intensamente.

“Acho que estava à beira daquela que devia ser a fantasia das fantasias para a maior parte dos adolescentes, mas não tinha mais de catorze anos e o sexo oposto aterrorizava-me tanto como me desorientava.”

Mas, Grace é uma fugitiva, e uma criança desaparecida aos olhos dos outros, e tarde ou cedo, o seu refúgio na cabana de Eric e Joel, o seu irmão, irá ser descoberta, mas até esse dia acontecer, Eric pretende dar à sua primeira namorada tudo o que de melhor tiver, e mais ainda quando descobre o seu segredo, algo que terá implicações num futuro demasiado próximo.
Mesmo passando por imensas dificuldades financeiras, Eric prepara várias surpresas a Grace com a cumplicidade do seu irmão mais novo Eric, e no Natal os seus esforços serão redobrados, dando asas ao sonho de Grace e acabando ambos por viver um momento mágico e inesquecível.

“Acho que o segredo de uma vida feliz é termos memória selectiva. Lembremos os momentos que nos são gratos e esqueçamos rapidamente os que o não são.”
Diário de Grace

Só que essa felicidade seria demasiado efémera, pois Eric vê-se obrigado a revelar o esconderijo de Grace, e é a partir desse momento que o destino de ambos será traçado de uma forma irremediável.

Richard Paul Evans constrói uma história real, que muitas vezes se pode passar mesmo ao nosso lado e à qual nunca se dá a devida atenção. Por isso, o que o autor pretendeu com este retrato foi dar voz aos silêncios vividos por muitos adolescentes, que não passam de crianças, a quem lhes é roubada a inocência.
Os temas abordados são imensos, e existe um contraste enorme entre eles, pois se por um lado encontramos sentimentos como o amor, a amizade, os laços familiares, a religião, por outro somos atingidos pela a pobreza, a doença, o bulling, o abuso sexual, e até a guerra.
A pureza de sentimentos vividos por Grace e Eric, assim como a sua coragem nas adversidades demonstra a grande diferença que existe entre o ser adulto e ser adolescente, pois dentro da irresponsabilidade de alguns actos, a justiça do seu carácter não tem em conta aquilo que parece bem aos olhos dos outros.

“Na maioria das recordações, os momentos bons desvanecem-se enquanto os maus ficam firmemente gravados nos recantos dos nossos corações.”

E, como já devem ter percebido, o meu receio inicial veio a concretizar-se, pois o que vamos encontrar neste livro é uma realidade tão dura, que será impossível ficar-lhe indiferente, emociona, revolta e desgasta-nos de uma forma tão profunda que dificilmente será possível de esquecer.

Assim Faria
Por Grace Webb

«Se pudesse iluminar a tua vida como tu iluminaste a minha. Assim faria.
Se pudesse amar-te tão profundamente como tu me amaste. Assim faria.
Se pudesse sarar o teu coração como tu saraste o meu. Assim faria.
Se pudesse conduzir-te até Deus como tu me conduziste. Assim faria.
Se pudesse dar-te a esperança que tu me deste. Assim faria.

Se pudesse ficar contigo para sempre. Assim faria.»


Em estrelas: +3¸.•☆



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