Passatempos:

O Toque da Morte - Stephen Booth [Opinião]


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O Toque da Morte
de Stephen Booth

Edição/reimpressão: Agosto de 2010
Páginas: 356
ISBN: 9789721061170
Colecção: Crime Perfeito

SinopseNuma charneca do Derbyshire assolada pela chuva, os cães de um grupo de caçadores encontram o cadáver de um homem bem vestido, cujo crânio fora esmagado. Chamados a investigar a descoberta, os detectives Diane Fry e Ben Cooper envolvem-se no submundo da caça e daqueles que a detestam, do roubo de cavalos e de um sector pouco conhecido do comércio de carne.
À medida que Fry segue um trilho complexo para desvendar os interesses duvidosos da vítima, Cooper apercebe-se de que a explicação do caso pode estar enterrada no passado.
Mas, quando a última pista é revelada, Fry e Cooper vêem-se obrigados a encarar a realidade perturbadora de um passado bem mais recente.



Ponto de Vista: Quando li a sinopse deste livro senti que entre mim e a história havia demasiados pontos em comum para eu o ignorar, mas pensei que a oportunidade de o ler não iria surgir, felizmente isso foi possível e espero conseguir dizer em palavras o que esta história me transmitiu.

O autor, que para mim foi uma agradável descoberta, escreve de uma forma tão sincera e realista que consegue chegar às nossas emoções e aos nossos pensamentos.
E a história, não é apenas sobre um homicídio, é também sobre valores, sobre animais e pessoas, sobre dedicação ao trabalho e ao que gostamos de fazer.
Senti uma grande proximidade em relação a algumas personagens, e consegui viver um pouco das suas dúvidas e certezas porque o autor soube como fazê-lo.

"Ut umbra sic vita. «Tal como a sombra passa, o mesmo acontece com a vida.»"

Neste policial, encontramos dois detectives diferentes do habitual, já que por norma é sempre um homem que se destaca como o forte e corajoso que comanda todas as operações, mas aqui temos uma Diane Fry transferida para Derbyshire (onde se passa a acção) devido a uma situação que ocorreu num passado ainda recente na sua memória, e que fica responsável por uma equipa que inclui Ben Cooper, um filho de polícia que sempre viveu no campo e que espera por uma promoção. E a diferença que existe, é que Fry é uma mulher habituada a viver sozinha e acha que nunca irá precisar de ninguém porque é forte o suficiente para ultrapassar qualquer obstáculo, enquanto Cooper é um homem de família, companheiro e sensível ao que o rodeia.
E tudo começa com a morte de Patrick Rawson num local ermo onde só existem ovelhas e caçadores de raposas, as únicas testemunhas e os possíveis culpados do homicídio.  
Pelo meio, o autor dá-nos algumas páginas de um diário que remete para o ano de 1968, década em que o Mundo se alterou de alguma forma pois vivia-se na iminência da 3ª Guerra Mundial e as bombas nucleares ameaçavam sentir-se a qualquer momento. Percebe-se, no final, que isso irá ter influência em mais uma morte, neste caso de Michael Clay.

"É estranho como os problemas parecem acumular-se na vida à medida que se envelhece."

Na procura por um culpado, Fry e Cooper mostram-nos as tradições da caça à raposa, e consequentemente, as lutas travadas pelos defensores dos direitos dos animais, que também se manifestam contra o abate de cavalos para consumo humano, negócio em que a vítima Patrick Rawson estava envolvida. Levantam-se questões como burlas e falsificação de documentos, roubo de cavalos para abate e outras situações pouco legais.   

"Apesar de as montarias estarem frequentemente associadas a privilégios de classe e hierarquias sociais, havia uma violência indefinida no âmago do desporto que o transformava numa espécie de ritual sangrento."

Percebe-se, por fim, que a ambição, a desconfiança e a vingança podem transformar qualquer pessoa e levá-la a cometer aquilo que achamos nunca sermos capazes de cometer: um homicídio.

Sinceramente, sei que não é fácil aceitar as motivações da caça, seja ela a que tipo de animal for, nem com a descrição do abate de animais, mesmo que isso seja uma necessidade para nós, e nem com a escolha de um animal de companhia num refúgio, porque o apelo de um animal abandonado é tão intenso e perturbador, que me choca a frieza com que a maioria das pessoas lida com isso.

"Todos eles eram animais que tinham sido abandonados e, de alguma forma, maltratados. Todos eles mereciam um bom lar."

E acho que esta história só nos consegue tocar se tivermos alguma noção e sensibilidade em relação a estes assuntos, de outra forma, não será a melhor escolha porque é preciso acima de tudo sentir antes de perceber.

"O que se desconhece não faz sofrer."

Em estrelas: 4{

[Aparte...]Só tenho um defeito a apontar, que se prende com o facto de encontrar muitos erros e palavras deslocadas da frase, e tendo em conta o preço do livro acho que não deveria haver um único ponto negativo a apontar.

3 Responses to “O Toque da Morte - Stephen Booth [Opinião]”

  1. Tinha este livro na minha lista de futuras compras mas, com a tua opinião Marta, vou riscar. Não que não me atraia pelo contrário, eu gosto de policiais, mas tudo o que mexe com o direito dos animais a mexe demasiado comigo. Sou muito sensível a esse tema e já vi com este livro iria chorar e revoltar-me imenso. Adoro animais, não suporto que de alguma forma maltratem ou desrespeitem o mesmo. Sou absolutamente contra a caça. Não este livro para mim não dá.

    Boa critica, Beijinhos*

  2. sabes, eu tb sou mto sensivel a estas questões, td a minha vida me vi rodeada de bichos e já cheguei a ter 18 cães (na sua maioria abandonados), já p ñ falar numa osga de estimação, enfim...
    E as opiniões q fui lendo em relação ao livro ñ eram mto abonatórias, mas logo qdo ele saiu fiquei c curiosidade q é um grande problema, e cm o podia ter emprestado tinha de aproveitar, pq as opiniões dos outros podem ñ ser a nossa própria opinião, é certo q influencia mas os nossos olhos podem sempre ver um "azul" mais claro ou mais escuro...
    Fiquei mto satisfeita por o ter lido, e apesar de algumas partes nos tocarem, cm os matadouros (já lá estive e sei cm é) e os canis (ñ consegui entrar fiquei à porta em agonia), ou a simples perda de um animal de companhia, gostei da história por ser diferente, mostrar outras realidades, por falar de experiencias de vida e pontos de vista diferentes q se podem tornar num choque de personalidades, enfim gostei mto!
    Mas, aqui entre nós, acho q ñ merece o dinheiro q custa, ñ falo pela história (claro!), mas pela edição em si, q p mim é mto pobre, tanto em capa, cm na revisão do texto, ou no próprio papel comparando a outras mto mais acessiveis, por isso, se o encontrares mais baratinho acho q podes arriscar na leitura señ, avança p outros q sejam mto mais o teu género. ;)

    Beju***

  3. Oh, eu sei Marta. Sou como tu não consigo entrar em canis nem instituições do género. Quando sei de um animal que pode ser abandonado sou sempre a primeira a tentar encontrar-lhe um lar, não sei mesmo lidar com estas situações, transcendem-me. Por isso acho que não vou conseguir ler este livro.
    Ps: Gostei muito do pormenor que usas-te para a sinopse e o aparte, tenho de pesquisar para utilizar também ;)
    ***

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