Passatempos:

Uma Questão de Consciência - Ian Rankin [Opinião]


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Uma Questão de Consciência
de Ian Rankin

Edição/reimpressão: Outubro de 2010
Editor: Porto Editora
Páginas: 432
ISBN: 9789720045430
Colecção: Literatura Estrangeira

SinopseNinguém gosta do departamento de assuntos internos da polícia - o «Lado Negro», como é conhecido no meio -, onde polícias investigam outros polícias. É aí que trabalha o inspector Malcolm Fox, numa secção responsável pelos casos mais graves de racismo e corrupção. Enquanto a sua carreira vai de vento em popa, com mais uma investigação bem-sucedida e mais um polícia corrupto desmascarado, a sua vida pessoal deixa muito a desejar. Atormentado entre a culpa de ter internado o pai num lar e a impotência que sente face à situação da irmã, vítima de abusos constantes por parte do homem com quem vive, é-lhe atribuída uma nova missão: aproximar-se de Jamie Breck, um detective suspeito de estar envolvido numa rede de pedofilia, sem que até agora tenha sido possível reunir provas para o acusar. Mas, à medida que Fox se envolve no caso, crescem as suspeitas de que as coisas não são tão lineares como o fizeram crer, e as dúvidas instalam-se, sobretudo quando um terrível homicídio ameaça destruir o frágil equilíbrio entre a sua vida profissional e familiar.



Ponto de Vista: Como me perco por policiais este foi mais um a juntar a todos os que já li e neste caso foi mesmo a sinopse que me fez aventurar nesta leitura, para além de “voltar à Escócia” (país que ambiciono conhecer) pelas mãos do autor Ian Rankin.
Mas ao contrário do que eu esperava, a sinopse mostrou-me uma história que no final se veio a revelar um pouco diferente…

Uma Questão de Consciência é um policial em todos os sentidos da palavra porque a história centra-se na própria polícia assim como em questões de suborno, passando por interesses pessoais e mostrando que nem aqueles que defendem a lei são incorruptíveis, a partir daqui todo o enredo passará por muitos mal-entendidos, por se trilhar um caminho onde ninguém é de confiança, e por pôr à prova o valor da amizade e do companheirismo entre colegas de trabalho. 

“Haveria sempre gente pronta a meter ao bolso um maço de notas em troca de um favor. Haveria sempre gente a aproveitar-se do sistema e a chupar até ao último centavo. Certas pessoas, muitas, continuariam a safar-se incólumes.”

Nesta história, encontramos Malcolm Fox, um inspector do Departamento de Queixas e Condutas – a quem compete investigar casos que envolvam a própria polícia, na casa dos quarenta anos e com uma história de vida semelhante à de muitos outros polícias, divorciado e a viver praticamente só para o trabalho.

“As Queixas eram para os carrancudos, os esquisitos, os policias que jamais se safariam como verdadeiros detectives.”

Apesar disso, a sua vida profissional é pautada pelo sucesso, pois está prestes a concluir mais um caso, e já outro o aguarda, mas desta vez envolve um jovem detective – Jamie Breck, com uma carreira bastante promissora mas que ao que tudo indica está envolvido numa rede de pedofilia.

“Era a passada de um jovem, decidida e forte, como se o futuro comportasse um destino evidente.”

E é quando Malcolm se começa a envolver nesta nova investigação, que de repente se vê atingido por uma série de coincidências da vida que envolvem a sua própria família, mais particularmente a sua irmã Jude, que sofre maus tratos por parte do seu companheiro. Mas no meio da sua angústia por não saber o que fazer para ajudar a sua irmã, surge a notícia de que Vince Faulkner, o companheiro desta, apareceu brutalmente assassinado, e quem ficará responsável pela investigação desta morte será Jamie, sendo a aproximação entre os dois polícias quase inevitável.

“De tudo o que tinha para fazer, de todos os casos com que tinha de lidar, aqueles que os polícias mais odiavam era os de violência doméstica. Odiavam-nos pois raramente produziam um desfecho feliz, e pouco ou nada podiam fazer no sentido de melhorar ou aliviar a situação.”

De um momento para o outro, Malcolm e Jamie vêem-se afastados do seu trabalho por motivos pouco aparentes, e decidem avançar com uma investigação por conta própria, para descobrir o que se está a passar e para poderem repor a justiça, gerando-se aqui, para além da parceria, uma grande amizade.

“Uma equipa raramente era uma equipa. Havia sempre o antagonista, a voz discordante, o agitador. Ou era castrado ou arranjava-se maneira de o mudar de poiso.”

O assassinato de Vince esconde muitas outras coisas e envolve interesses que chegam até aos corredores da polícia, e só à custa dos verdadeiros amigos e da honestidade de algumas pessoas, é que se conseguirá chegar à verdade.

“A polícia consistia numa série de mecanismos interligados, sendo que qualquer um deles podia ser subornado, ou acabar por se desalinhar, ou precisar de conserto…”

Ian Rankin não procurou valorizar as questões mais pessoais de cada personagem, cingindo-se apenas à investigação de todo o caso, mas mesmo assim é fácil simpatizar com Malcolm e Jamie, que pela diferença de idades e crescimento pessoal conseguem unir forças num objectivo comum, mostrando que as opiniões que temos uns dos outros têm de ser construídas por nós e não por terceiros.
Só é pena o autor não ter explorado mais certas situações, como a violência doméstica, ou a impossibilidade de tomar conta dos nossos pais com o avançar da idade, ou mesmo o envolvimento pessoal no local de trabalho, que surgem na sinopse e que depois acabam por ter pouco destaque na narrativa, o que de certa forma empobreceu um pouco a história.


Em estrelas: 3{

2 Responses to “Uma Questão de Consciência - Ian Rankin [Opinião]”

  1. Acho que o livro não te convenceu :)
    De qualquer forma parece interessante de desfolhar Marta.

    Beijinhos*

  2. Pois, tens toda a razão Joana... =S
    Infelizmente, esperava mais da história, achei q é um bom livro p o sexo masculino, sem romance, sem introspecção, sem o outro lado mais humano q tds temos até os policias...
    E tb acho q já estou a ler demasiados policiais de seguida, o q ñ ajuda a absorver o melhor da história, por isso agora fugi p um romance tipicamente feminino, p desanuviar um pco... E depois volto aos policiais!

    E brigada por "me" leres... ;)
    Bejinhu***

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