Ponto de Vista: Colleen McCullough, apesar de ser já uma autora com algumas obras publicadas e de um certo relevo, só agora a ‘descobri’, e como não tinha nenhuma opinião formada sobre ela posso dizer que se revelou uma agradável descoberta.
O Dia de Todos os Pecados vem em seguimento de um livro anterior – Um Passo à Frente, e de início tive algum receio de não conseguir encaixar a história por esse facto, é certo que as personagens tiveram algum crescimento devido a um caso que tinham investigado anteriormente e há várias referências ao mesmo neste livro, mas isso não se revelou impeditivo na compreensão desta nova história e investigação.
Estamos perante um policial recheado de homicídios e suspeitos, em que quase nem nos apercebemos que tudo se desenrola à volta da Guerra Fria e de uma possível 3ª Guerra Mundial, onde a espionagem ganha terreno e a morte se torna justificável.
“Só há uma coisa que garante o genuíno poder: a perda da liberdade pessoal.”
Carmine Delmonico vê-se a braços com doze homicídios, alguns bastante violentos, na pacata cidade de Holloman e que pouco têm em comum senão o facto de terem sido todos cometidos no mesmo dia.
A sua equipa entra em acção para tentar desvendar o que levou a estes crimes e quem está por detrás de tudo. Pelo meio outros problemas o assolam, como arranjar um nome para o seu filho recém-nascido ou escolher entre um dos membros da sua equipa para ocupar um cargo de tenente, e tudo piora quando até a sua própria família começa a estar em perigo de vida.
Com o surgimento do FBI, Carmine percebe que não é só os homicídios que preocupam as forças policiais, existe espionagem na Cornucopia, uma empresa de armamentos, em que o seu presidente foi uma das doze vítimas de homicídio, e por sinal com contornos bastante cruéis.
Entretanto, outros crimes vão surgindo e, ao que parece, estes começam a estar relacionados com esta situação, e é preciso começarmos a chegar perto do final da história para conseguir fazer a ligação de tudo e para descobrir quem é o mentor de todas estas atrocidades.
“O poder transforma os seres humanos em animais..”
Quanto às personagens presentes na história, que são bastantes, na sua maioria elas chegam-nos descritas pelos olhos de Carmine que lhes dá sempre um carácter bastante peculiar. Mas a mais cativante é, sem dúvida, Delia Carstairs, sua assistente, cheia de originalidade, boa disposição, dedicada e trabalhadora, e que nos mostra que o valor está acima de tudo nas nossas atitudes.
“O verniz exterior é bom, mas é a leitura extracurricular que realmente nos ensina.”
E apesar de não ser grande apreciadora de questões políticas, e de esta ser uma história baseada nas diferenças ideológicas de cada um, a mesma consegue-se destacar mais pelos contornos dos crimes e a personalidade de cada personagem, em conjunto com vivências familiares e o papel da mulher na sociedade, e isso, juntamente com o facto de a autora possuir uma escrita simples e directa consegue cativar o leitor e despertar o interesse pelo desfecho da história.
E, espero por isso, ter oportunidade de ler mais sobre as investigações de Carmine Delmonico e a sua fiel assistente Delia Carstairs.
“As mulheres têm uma coragem incrível, todos os dias das suas vidas. Para um polícia como eu, são presas. Há sempre alguém a observá-las, a segui-las, a espiá-las, e ninguém sabe que mulher será o próximo alvo. Mas nem é só isso: as mulheres são corajosas porque têm filhos e tratam do lar… e essa tarefa pode ser muito difícil!”
Em estrelas: -4{